Paula Torres

Os Eus que Habitam em Mim

Os Eus que Habitam em Mim


Na minha cabeça
habitam vários eus.


Personas,
personagens,
multifacetados.


Alegres.
Melancólicos.
Aventureiros.
Domesticados.
Prisioneiros.
Hostis.


Alguns aceitam viver
sob a égide do algoz.


Outros,
arraigados de destemor,
lutam bravamente para escapar.


Num esforço visceral,
rompem as correntes
e buscam a liberdade.


Liberdade.


Sonho almejado
por aqueles que se deixaram
escravizar pelas escolhas passadas.


No eu dominante,
a responsabilidade pesa
como uma balança assimétrica:


de um lado,
os deveres;


do outro,
os próprios sonhos.


E os sonhos
quase sempre pesam menos.


A vida é uma balança cruel.


Castiga com intensidade
as agruras da adolescência,
as escolhas impensadas,
os caminhos que tomamos
sem saber onde terminariam.


Mas como tomar as rédeas
e voltar no tempo?


Como fazer escolhas diferentes
que resultem em outros finais?


Como continuar a viver,
mergulhada nesse turbilhão
de sentimentos,


de eus,


de razões,


de porquês,


de motivos
para continuar a existir?