Mesmo fraca, cansada do peso do mundo,
Eu lembro de cada promessa que me fez.
Guardo Teus planos em meu peito profundo,
Para lembrar de quem sou, mais uma vez.
É como olhar para o céu desta noite fria:
O teto do mundo está denso, nublado,
Mas sei que a luz das estrelas não se esvazia,
O brilho delas continua ali, guardado.
Mesmo na noite de maior escuridão,
Deus fez a lua para ser o farol.
Pela pequena janela, na minha solidão,
O reflexo azul na parede substitui o sol.
Vejo esse azul, imenso como o oceano,
E sussurro: \"Leva-me além, para perto de Ti.\"
Mas logo me assusto com o medo humano,
O medo de me afogar no que não medi.
É contraditório o desejo de descer ao profundo,
Querendo a Tua presença, mas temendo sucumbir...
Porém, eu lembro bem de onde fui tirada neste mundo:
Lá só havia espinhos, dor e nenhum rumo a seguir.
Para aquele deserto eu não quero voltar jamais.
No meio de tantos erros, com o peito a clamar,
Pergunto a mim mesma, sem encontrar paz:
\"Será que ainda posso ser Tua filha e a Ti retornar?\"
Porque eu sei que Te amo, mesmo que não pareça,
Mesmo cercada de falhas e de dor...
Pai, antes que a culpa na alma cresça,
Receba o que resta deste meu amor.
Eu Te convido a entrar neste meu céu nublado,
Onde a tempestade ameaça desabar.
Pois sei que até o temporal mais pesado
Vem para a alma limpar e o jardim regar.
Eu sei que um dia as nuvens vão se dissipar,
O vento vai soprar e o céu vai se abrir.
E eu quero que o Senhor seja o primeiro a contemplar
As estrelas que me deu, e que eu tanto guardei para Ti.