Fábio Marinho

Soneto de saudade

De alguma forma se eu puder da ardência

Que o bicho rói faminto e em dois reparte

Tirar matéria prima, engenho e arte

E desse afã um grito por clemência...

 

Se mesmo algoz o tempo e a frequência

E a vez severa corta a carne que arde

Que posso então, se não, da contraparte

Amar, e do terror ser indolência?

E o peito esconde escombros ancestrais

E o tempo se alimenta de ano em ano

E o bicho engorda e cresce a eternidade

 

O mais do mesmo endossa o querer mais

O corte acorda o fogo e acende o dano

O estrago é de um soneto de saudade...