O primeiro pecado…
Foi me ter apaixonado.
Se tivesse olhado para o lado,
Talvez nem te teria notado,
Mas mesmo se tivesse notado,
E continuasse sentado,
Talvez o sentimento tivesse passado.
O segundo…
Foi ter confiado.
Nem estava totalmente remendado,
Dos relacionamentos anteriores,
Pensei que irias me fazer voltar a ver as cores,
Tratar as minhas dores,
Mas só as duplicaste,
Ao teres ido fazer sexo com os teus amores.
O terceiro…
Foi ter te beijado.
Quero o meu tempo perdido de volta,
Aquele que mo roubaste,
E a minha saliva,
Aquela que para o lubrificar tu usaste.
O quarto…
Foi ter perdoado.
Eu deveria me ter afastado,
Mas os teus olhos lacrimejados,
Convenceram o meu coração de esferovite,
De que eu estava a ser malvado.
O quinto…
Foi me ter ajoelhado.
Ter pedido o noivado,
Foi ter feito o contrário,
Do que me tinha sido aconselhado,
Aquela tua expressão de surpresa,
Quando te tinha colocado o anel,
E enxugado as tuas lágrimas,
Com um pedaço de papel,
Na verdade eram as lágrimas,
De uma donzela arrependida,
Por ter traído o seu noivo,
Bem que poderias ter confessado,
Quanto te tinha abraçado,
E confundido o motivo,
Eu te teria abraçado,
E agradecido,
Por teres sido mais uma,
A me trair,
Mas que antes de partir,
Foi a única,
Que confessou,
O meu coração partir.
O sexto…
Foi contigo ter acasalado.
Quem diria que a tua vagina,
Fosse um lugar tão requisitado,
Um ponto turístico,
Do qual eu não fui o único a ter visitado,
Mas com certeza fui o único,
A ler e a ter os detalhes apreciado,
Os elogiado,
E a dizer o quanto a visita àquele lugar,
Eu tinha amado.
E o sétimo…
Foi te ter conhecido.
Não era para ter acontecido,
Maldito cupido,
Ele não deveria ter me atingido.
Enquanto me ajoelhava para ti,
E te pedia para que comigo te deitasses,
Enquanto te olhava bem fundo nos olhos,
E pedia de coração partido,
Para que nunca me deixasses,
Tu te ajoelhavas a ele,
Enquanto pedias para que na tua boca ele te leitasse,
E o teu pescoço apertasse,
O mesmo pescoço que eu te apertei o colar,
E a mesma boca que eu troquei a saliva,
Da qual não posso mais recuperar,
E é a mesma que jurou a minha alma abraçar.
Eu te odeio.
Eu te amo.
Eu amo te odiar,
E odeio te amar.
Eu te odeio,
Porque ainda te amo.
Eu te cheguei a dizer que era sem ressentimentos,
Na verdade são cem ressentimentos.
A mesma chuva que fizeste ir embora,
Voltou para me molhar.
E desta vez não tenho como me abrigar,
O meu coração era o teu abrigo,
Mas não tem como me abrigar no meu próprio,
Quando pensei que finalmente tinha encontrado um no teu,
Na verdade,
Estava-me a abrigar este tempo todo em uma árvore durante a tempestade.