Hoje o vento insiste.
As ondas quebram
o resto de verde.
A primavera troca
as cores da região.
Eu troco de pele.
Ontem quis não sentir.
Tua mão chegou
até onde o corpo
começa a trair.
Anjos beijam bem.
Prefiro morder.
O corredor é longo.
A porta que abri
não era saída:
era o tempo
fingindo de amanhã.
Na cama, ávida,
penso na janela.
Desisto de voar.
Cair é mais exato.
A lua sobe.
A lua desce.
Amo o esforço
sem prêmio.
E se tudo ruir...
é bom ruir devagar:
um perfume tardio,
uma flor que só devora,
um beijo atrasado,
um vício elegante
de quem ama o meu fim.
E depois?
Depois é silêncio
com rendas e vermes.
Amanhã Fingido
de Ayalah Verônica Berg