Poema: A geração dos Enzos
Foi em dois mil e dez, num sopro leve,
que o nome Enzo desceu de além-mar
Sonoro e doce, italiano e breve,
feito pra ser cantado num ninar
Dez anos depois, brotou por toda parte
Enzos de tênis luz aceso no pé
Meninos-joia, criados como arte,
que não desgrudam a mão do app
Não conheceram rua, nem amarelinha,
trocaram bola por tela e botão
Falam em inglês, mas com voz de andorinha,
e querem o mundo em forma de curtirão
E no entanto, por trás da luz fria,
há um menino que só quer ser visto
Que treme e chora quando cai a wi-fi,
mas que ainda sonha em ser mais que isso
Que o Enzo cresça, que o Enzo floresça,
não só de grife, mas de coração
Que aprenda que a vida acontece depressa,
longe da tela, no chão do quintal