Ivan Lomasso

NOITE

 

São duas da madrugada e ainda não preguei os olhos. Sinto a noite me velar como se quisesse me engolir da forma como engole o dia.

 

Isso me deixa alerta.

 

Resolvo vagar pelas ruas desertas. A sensação de deparar com o desconhecido me dá calafrios e isso é quase um orgasmo para mim.

 

Percebo a vinte e cinco passos – sim, conto distâncias por passos –  um casal que se pega.

 

Ao me perceberem se viram e saem caminhando calmamente. Ignoro-os.

 

Caminho contra um vento que sopra um frescor de menta que vem de bocas que se renovam entre um beijo e outro.

 

Esta sensação de solidão noturna me entorpece e desejo que nunca se acabe.

 

Mas logo vem o dia regurgitado pela noite.

 

Hora de me esconder e aguardar que ela volte.

 

Enfim . . .