CORASSIS

A maquiagem duradoura

Várias intervenções de choque
Mas o enfoque divino não veio  projetar a cura!
Tão atuante, esse ator do mundo moderno
Tão fanfarrão a meia-noite,
Com tudo  ensaiado
Ao dissabor
Para o pequeno público aplaudir
Na  noite de insônia.
Perto do sol reluzir
esplendoroso
Em mais  um dia, aumentar as taxas
De expectativas invencíveis

Cai a cortina de vidro do auditório ,
Mas o espetáculo não pode parar.
O ator engole o cansaço compulsório
E sorri para a plateia que o vai julgar.
A maquiagem esconde o tratamento de choque,
Enquanto o lucro mascara a velha ferida.
No palco do mundo, nenhum Deus dá o toque,
Apenas a cobrança por uma perfeita vida.
E ao bater da meia-noite, no camarim deserto,
O fanfarrão se despe do seu manto de glória,
Encarando a insônia de um futuro incerto,
Prisioneiro da própria e ensaiada história.
Mas o sol já desponta, impiedoso e exato,
Cobrando os juros das taxas que o dia investiu.
Mais doze horas de cena, mais um cego contrato,
Que o grande público aplaude... e ninguém de fato viu.