Nelson de Medeiros

AMOR DE VERÃO

AMOR DE VERÃO

Ontem à tardinha quando o sol morria,
avermelhando o céu sem dimensão,
no poente uma cor resplandecia
e envolvia de paz meu coração!

Quand a noite brilhou cheia de encanto,
olhando estrelas e a lua que nascia,
com minhas liras te afoguei em pranto,
e o teu pranto me afogou em poesia!

Nossos olhos num relance se cruzaram,
e no silencio nossas almas se entenderam!
Nossos lábios em delírio se tocaram,
e nossos corpos no pecado se arderam!

O teu cabelo prateado pela lua,
qual manso lago refletia o meu desejo!
E em tua pele acetinada e toda nua,
colei meus beijos sem remorsos e sem pejo!

E mergulhamos no amor da madrugada,
qual almas gêmeas abraçadas de emoção!
Teu coração numa corrida acelerada,
caiu inteiro entrelaçado em minha mão!

Pela manhã, quando outro dia já nascia,
dourando o céu de beleza e encantamento,
tu partistes sem dizer o que sentia,
mas a saudade eternizou nosso momento!

 Nelson de Medeiros Teixeira