Feliz, sim:
o dia vai porque não tem como voltar.
Viver é um vício discreto,
e o coração, um sábio elegante.
Estou exausta de tanta calma.
Amo baixo, quase sem gesto,
mas conheço o ponto em que o silêncio se ergue.
Ouvi meu nome na dobra do lençol,
no lugar que o sonho evita,
nosso pequeno segredo que me agrada.
Se amanhã não tiver, deixo meu cansaço,
teu peso de ideias,
tua hipocrisia bem-educada.
Não prometo nada.
Até o fim me serve.
Sem descanso, ainda assim,
te quero um pouco mais do que devia—
e isso, talvez, seja o começo.
A Pequena Dobra que Me Agrada
de Ayalah Verônica Berg