MAISA NALAPE

VALE TUDO

Vale tudo quando é por amor,

mesmo o medo de se perder,

mesmo a distância, mesmo a dor,

quando ainda existe vontade de permanecer.

 

Vale o silêncio e a palavra,

vale partir, vale ficar,

vale o abraço que demora,

vale aquilo que não conseguimos falar.

 

Vale o silêncio e a distância

quando, estando perto, não se sabe valorizar.

Vale a distância, porque não sei fingir ser feliz

quando a felicidade já não mora em mim.

 

Vale aprender a viver sem ti,

porque, mesmo contigo, eu me sinto vazia,

como quem tem alguém ao lado,

mas não tem um companheiro na vida.

 

Vale cada noite sem sono,

cada lágrima escondida,

cada sorriso que dei por fora

quando, por dentro, me sentia perdida.

 

Vale lembrar cada palavra que disseste,

aquelas que ainda doem no coração:

“És apenas a mãe dos meus filhos.”

E naquele instante percebi

que, para ti, eu já não era amor,

era apenas a mãe dos teus filhos,

uma parte da tua obrigação.

 

Vale recordar tudo o que tentei,

tudo o que calei,

todas as vezes que fiquei

quando, por dentro, já me sentia a partir.

 

Vale viver a minha vida,

mesmo que doa deixar-te para trás,

porque finalmente entendi

que não faço parte do teu destino.

 

Vale aceitar que nem todo amor é para sempre,

mesmo quando demos tudo para que fosse.

Vale aceitar que, às vezes,

amar também é saber quando partir.

 

E talvez seja essa a minha esperança:

não esperar que tu mudes,

mas acreditar que eu posso mudar o meu caminho.

Que posso voltar a ser feliz,

sem fingir, sem implorar,

sem viver ao lado de alguém

e sentir-me sozinha.

 

Vale chorar.

Vale sofrer.

Vale sentir saudade.

Vale lembrar o que fomos

e tudo aquilo que sonhei que seríamos.

 

Mas vale também levantar-me,

reaprender a sorrir

e escolher a minha própria felicidade.

 

Vale tudo, menos perder-me

a tentar ser suficiente para alguém

que já decidiu não me escolher.

 

Vale seguir em frente,

mesmo com o coração partido.

Vale reconstruir-me devagar

e voltar a encontrar-me em mim.

 

E se um dia olhares para trás

e perceberes tudo o que perdeste,

talvez já seja tarde.

Porque nesse dia

eu talvez já tenha aprendido

a viver sem ti.

 

E quando esse dia chegar,

não será por falta de amor.

Será porque finalmente entendi

que também mereço ser amada,

ser desejada,

ser companheira,

ser escolhida.

 

E se amar for loucura,

então eu amei de verdade.

Mas agora, para me salvar,

vale tudo para me escolher a mim.

 

Porque a minha maior esperança

já não é que tu voltes.

 

É que eu nunca mais me abandone.