Gino, Sinvaldo de Souza

Lágrimas de Sangue

Poema: Lágrimas de Sangue

No silêncio profundo da noite que chora,
O peito carrega o que o tempo não cura,
Uma dor que transpira, que rasga e devora,
Transformando a saudade em pura amargura.

Lágrimas de sangue caem do olhar,
Não são de água, de sal ou de vento,
São o próprio pulsar de um sofrer sem cessar,
A vertente vermelha de um forte tormento.

O pranto que queima, que risca a face,
Deixa a marca profunda de um corte invisível,
Como se a alma ferida por dentro sangrasse,
Gritando no escuro um vazio impossível.

Cada gota que desce carrega uma história,
De um sonho que faliu ou de um adeus sem fim,
Uma cicatriz viva gravada na memória,
Que o peito padece e ecoa assim.

Mas mesmo na dor que parece eterna,
Onde o pranto é rio de vivo rubor,
Espera-se a aurora que o dia governa,
Pra limpar a ferida e curar a dor.