geisa Ferrazo

Poema Angelical

*Poema Angelical - Versão 1 - Clássica Lapidada*

 

Não desce o anjo em luz de fantasia,

Nem traz nas mãos o pó das estrelas;

Chega em silêncio, ao fim do dia,

Quando a esperança mal ousa erguê-las.

 

Tem pés cansados, olhos de poesia,

Voz serena, avessa a promessas;

Recolhe do chão a dor vazia

E aquece, com ternura, mãos indefesas.

 

Não pede glória, nem procura o céu;

Caminha entre nós, discreto e verdadeiro,

Como quem conhece o peso de um véu.

 

E ao partir, deixa um rastro passageiro:

um pouco mais de fé sobre o papel,

um coração mais forte e o mundo inteiro.

 

*Poema Angelical - Versão 2 - O Anjo que Fica*

 

O anjo não vem em luz de fantasia,

nem traz o brilho das estrelas na mão.

Chega no silêncio do final do dia,

quando a esperança quase perde a direção.

 

Tem pés cansados de tanto caminho,

olhos de poema e voz de calmaria.

Recolhe do chão o nosso desalinho

e aquece, em silêncio, a mão fria.

 

Não pede glória, não almeja o céu.

Anda entre nós, simples e verdadeiro,

sabe o peso e a leveza de um véu.

 

E quando parte, deixa por inteiro:

um pouco mais de fé no seu papel,

um coração mais forte, o mundo mais inteiro.

 

*Poema Angelical - Versão 3 - Curta*

 

O anjo não desce em luz.

Chega sem avisar, no fim do dia,

com pés cansados e olhos de poesia.

 

Não promete nada.

Só recolhe a dor do chão

e aquece as mãos vazias.

 

Não procura o céu.

Caminha aqui, discreto,

como quem entende o peso de um véu.

 

E ao partir, deixa:

um pouco mais de fé,

um coração mais forte.