Gabrielmaria

Em sua pequena cabana, havia um carro remendado.

Em sua pequena cabana, havia um carro remendado.

 

Uma rua localizada, bem distante de um querer a mais

Voltas e voltas dadas por um simples e avermelhado carro

Que em sua pequena e confortável cabana, vinha a estacionar 

Sempre sonhando e acanhado por não se encaixar.

 

Todos olhavam em sua volta, vigiando seu rodar

Querendo satisfação e gozação tirar

Lágrimas e combustível não tinha mais para dar 

Logo, do escuro e da desilusão resolveu mirar, uma saída foi buscar...

 

Um passo a cada dia...quilômetro a anotar...

Foi-se indo a cada estação e festejar 

Olhava em sua volta e desejava voltar 

Sua confortável e pequena cabana estava a te esperar 

Não tinha ninguém a encontrar, apenas queria se livrar.

 

Não tinha companhia e nem par

Gostava de sentir a chuva molhar e guiar 

Quando fria estava, esfriava seu pensar

Do sol... não esperava nada... além do acalorar

Por isso, quando ensolarado estava, não se punha a chorar, nem espernear.

 

Como segurar e esconder uma lágrima que vinha a rolar?

O simplório carro vermelho, não sabia voltar

Ele só tentou se encaixar e no fim quando pensou em lutar

Todos ao seu lado queriam estar, as gozações vieram a se cessar e os risos não mais escapar.

 

Como contar que ele não mais queria acalentar? nem amar? 

A viagem dolorosa que insistiu em andar, quando aos olhares sarcásticos pôde contemplar 

Dores no caminhar o impediu de ficar.

 

Passou em um posto, trocou as rodas, abasteceu seu tanque

E se pôs a andar...

Agora sozinho e querendo sozinho estar. 

Sem rota.. nem destino... somente se pôs a sozinho andar e à sua bela e própria companhia apreciar...

 

Autoria: GabrielMaria