Em sua pequena cabana, havia um carro remendado.
Uma rua localizada, bem distante de um querer a mais
Voltas e voltas dadas por um simples e avermelhado carro
Que em sua pequena e confortável cabana, vinha a estacionar
Sempre sonhando e acanhado por não se encaixar.
Todos olhavam em sua volta, vigiando seu rodar
Querendo satisfação e gozação tirar
Lágrimas e combustível não tinha mais para dar
Logo, do escuro e da desilusão resolveu mirar, uma saída foi buscar...
Um passo a cada dia...quilômetro a anotar...
Foi-se indo a cada estação e festejar
Olhava em sua volta e desejava voltar
Sua confortável e pequena cabana estava a te esperar
Não tinha ninguém a encontrar, apenas queria se livrar.
Não tinha companhia e nem par
Gostava de sentir a chuva molhar e guiar
Quando fria estava, esfriava seu pensar
Do sol... não esperava nada... além do acalorar
Por isso, quando ensolarado estava, não se punha a chorar, nem espernear.
Como segurar e esconder uma lágrima que vinha a rolar?
O simplório carro vermelho, não sabia voltar
Ele só tentou se encaixar e no fim quando pensou em lutar
Todos ao seu lado queriam estar, as gozações vieram a se cessar e os risos não mais escapar.
Como contar que ele não mais queria acalentar? nem amar?
A viagem dolorosa que insistiu em andar, quando aos olhares sarcásticos pôde contemplar
Dores no caminhar o impediu de ficar.
Passou em um posto, trocou as rodas, abasteceu seu tanque
E se pôs a andar...
Agora sozinho e querendo sozinho estar.
Sem rota.. nem destino... somente se pôs a sozinho andar e à sua bela e própria companhia apreciar...
Autoria: GabrielMaria