Olho para o abismo
Não vejo o fundo
Como pode existir um lugar profundo em tão pequeno mundo
Olho para mar
E me dá um desejo imenso de mergulhar
Eu não sei voar
E muito menos nadar
Mas sempre que estou a contemplar
Sinto uma vontade profunda de me atirar
Neste pequeno mundo não consigo me encaixar
Talvez eu esteja perdida em auto mar
Estou aqui a me procurar
Com vontade de saltar
Aliviar o peso sob meus pés e por alguns minutos flutuar
Já não aguento mais andar
Não que eu queria está vida terminar
Mas preciso descansar
Contudo não posso parar
Pois neste mundo ando só
Sem motivo, levanto todo corococó
Como o galo levanta para cantar
Pois só me resta continuar
Talvez eu jamais me encontre neste lugar
Será que devo outro mundo explorar
Ou talvez eu seja o mar
Ou o abismo no fundo do seu olhar
Talvez estamos ambas cheias de amor para dar
Com medo de nós aventurar
Dia e noite sentindo o peso de um vazio que nunca vai passar