mergulhado na frigideira
um cardume de batatas fritas,
o mesmo som do vento
nas folhas dos eucaliptos,
e minha avó aos gritos,
chamando por Minguinho,
o gato que “matei”,
por dizerem, tinha ele sete vidas
e estava furtando peixes do açude.
Perdão Minguinho!
o caminhão passou por cima
e você saiu andando,
outro carro passou por cima
e você saiu andando,
tio Adilson nos contando
as aventuras de Minguinho
nos domingos de almoço.
fiz as contas, ficam cinco.
quando vi você roubando,
decidi que eram quatro
e você sairia andando.
e mais peixes do Guandú
no açude despejando
e você não levantava
e de súbito sumiu,
a cobra o engoliu.
minha avó, bem nos meus olhos,
me chamou de assassino.
num domingo de bola de gude,
Minguinho apareceu,
na boca um peixe do açude.
Tio Adilson confirmou:
Minguim tem sete vidas.
Tio Adilson me salvou.
Minguinho era gêmeo.