Todas as vezes que escuto essa música, lembro de todos os momentos felizes que ela trouxe ao meu coração.
É uma pena que, hoje, essas lembranças tenham ganhado um gosto de café extraforte e sem açúcar.
E, pior: Master of None.
“Mestre de ninguém.”
Essa música é literalmente um tapa na cara dizendo:
Você. Sim, você. Você não é mestre de porra nenhuma.
E tudo bem.
Tudo bem não ser.
Por muitos anos, eu acreditei que o amor era o mestre das nossas escolhas tanto das impulsivas quanto das pensadas. Como se amar alguém fosse suficiente para determinar quem fica, quem vai embora, quem escolhe quem.
Mas que poder o amor realmente tem, no final, se somos todos substituíveis diante das escolhas, do conforto e da conveniência?
Eu deveria sofrer com essa ideia.
Mas, por alguma razão, sinto alívio.
Alívio em pensar que outras pessoas talvez não sofram tanto ao perder o meu amor, assim como eu não preciso sofrer eternamente ao perder o amor delas.
O seu amor foi o que mais me mudou. Para melhor e, em alguns momentos, para muito pior.
E mesmo tendo sido o maior amor da minha vida até hoje, sinto que ele foi trocado e substituído de uma maneira tão simples.
Mas, como eu disse:
não somos mestres de ninguém.
E eu confesso que o seu amor lindo, intenso e caótico também foi substituído.
Por um amor que ainda precisa amadurecer, mas que é doce. Suave. Um amor que não carrega todas as nuances do meu passado, nem a visão que você construiu de mim.
Uma visão que, muitas vezes, provou ter alguma verdade.
E que, tantas outras, se mostrou desnecessariamente cruel.
Por isso, hoje eu penso diferente.
Não.
Você não é “só mais um”.
Você não é “só mais uma”.
Não importa se durou dez anos ou dez minutos.
Naquele momento, você foi o maior amor.
Talvez não seja para sempre.
Talvez nem seja amanhã.
Mas naquele momento, você é o maior amor.
E talvez seja por isso que a frase “conheci outra pessoa” nunca tenha sido, para mim, um peso tão grande quanto deveria.
Hoje ela parece mais um respiro de alívio.
Porque, seja lá quem for a pessoa que aquela “sua pessoa” escolheu, talvez ela esteja fazendo muito bem para alguém que você ama ou amou.
E existe alguma coisa estranhamente bonita nisso.
Perceber que alguém pode continuar sendo feliz sem você.
Perceber que você também pode continuar sendo feliz sem alguém.
O amor não precisa durar para ter sido verdadeiro.
Talvez a parte mais difícil seja aceitar que amar alguém nunca nos tornou mestres do seu destino.
Nem das suas escolhas.
Nem de quem ela vai amar depois de nós.
Master of None.
Mestre de ninguém.
E, finalmente, acho que existe alguma paz nisso.
Vou escrever aqui.
Vai que você passa pra ler.