Não costumo ter o prazer de terminar tudo do prato e beber tudo do copo,
Não costumo ter o prazer de estar até o momento do adeus,
Não costumo ter o prazer de estar até o parabéns,
Não costumo muito ter o prazer do fim.
Pra mim sempre soou uma sirene antes que anuncia a dor do finito.
Minha mãe me perguntava se o resto do café na xícara era pro santo.
Que boa ideia, que seja pra alguém, menos pra mim.
Não foi de bom grado, usei para me livrar de mais um fim.
Ainda sim quando paro na frente do lixo, prestes a jogar o final fora,
Algo pesa em meu semblante, mais uma vez.
Quando coloco o pé na porta, prestes a sair antes do momento final,
Guardo algum rancor, mais uma vez.
No fundo eu me questiono,
Se tem algum tesouro que perco no fim do caminho.
Se tem alguma face minha, que não vejo ao virar as costas antes dos sinos da ressurreição soarem.