Quem não quer voltar para lá
embora o lá não mais persista
O lá é o início de tudo
do clarão da vida
do principiar breve dos dias
do assoalho do chão do mundo
do início do que vem depois
e o resto que o tempo ainda não levou
O lá não muda de lugar
somos nós que de lá saímos
a navegar em um mar que insiste
a recuar a um cais que não mais existe
Ah! se pudesse voltar para lá
reencontrar o trinco enferrujado do portão
o cheiro antigo de café com pão
e o radinho de pilha a tocar a música
que hoje nem lembro mais da letra
Lá eu fui feliz
feliz de uma felicidade passageira
como até então somos viajante
a trafegar pelo fugaz do instante
a sonhar voltar a um lá que hoje nos é distante
e que não cabe no mapa de quem segue adiante
exceto no bolso invisível do lado esquerdo
do avesso da gente