Às vezes eu penso, no fundo, calado,
que o amor para mim veio no rumo errado,
que fui feito à sombra de um sonho sem cor,
destinado ao eco, distante do amor.
Vejo tantos sorrisos, promessas no ar,
gente feita para amar e ser lar,
e eu sigo em silêncio, tentando entender,
porque é tão difícil alguém me querer.
Talvez eu não seja canção para tocar,
nem porto seguro para alguém ancorar,
talvez eu carregue no peito um inverno,
um medo escondido, um vazio eterno.
Mas dentro da noite que insiste em ficar,
há algo teimoso querendo lutar,
um fio de esperança, pequeno, escondido,
dizendo baixinho: “você não é perdido”.
Porque até a saudade que corta sem dó,
ensina que o peito não nasceu só,
e quem hoje caminha na dor da solidão,
também pode um dia encontrar outra mão.
Talvez seja tarde, ou cedo demais,
o tempo do amor tem caminhos desiguais,
mas o coração, mesmo em triste abandono,
ainda merece um afeto sem dono.
E quando esse dia enfim acontecer,
talvez você olhe e consiga entender:
quem muito duvidou do próprio valor,
também era digno de um grande amor.