Ele havia chegado com o nome virtuoso aos lábios
coisa rara naquela viagem
e a cidade o reconheceu
antes que ele reconhecesse a cidade.
Assim funciona o lugar:
não resiste ao que chega.
Absorve.
E este não o percebe.
A virtude é uma faca fina
no bolso de quem não aprendeu ainda
que aqui as facas enferrujam por dentro
enquanto o cabo brilha.
Ele sabia o que viera fazer.
Ou pensava que sabia,
que é o mesmo que saber,
até deixar de ser.
As leis entraram pelos poros
como névoa fria de madrugada úmida:
primeiro, o cansaço que parece prudência;
depois, a dúvida que parece sabedoria.
Por fim, o silêncio que parece paz:
a mais límpida das mentiras,
porque tem a textura exata
do sucesso genuíno.
O espião aprendia a língua
sem perceber que a língua
o reescrevia como um livro,
quando pensava ter encontrado o destino.