Tenho o fogo em minhas mãos
e você continua chegando perto.
Eu deveria avisar
que chamas não sabem amar.
Mas você sorri
como se não tivesse medo de se queimar.
Então me diga...
O que você veio procurar
no meu incêndio?
Porque eu já tentei apagar as chamas,
joguei água sobre tudo aquilo
que lembrava você.
Mas algumas brasas
não obedecem.
Elas permanecem escondidas,
esperando o menor sopro
para voltar a existir.
E você...
Você foi esse sopro.
Agora não sei se quero
salvar você do fogo
ou deixar que ele nos consuma.
Talvez porque, pela primeira vez,
eu não tenha medo de queimar.
Talvez eu só tenha medo
de que você vá embora
antes que as chamas acabem.
Então fique.
Mesmo que seja perigoso.
Mesmo que amanhã
a gente acorde em meio às cinzas.
Porque, se for para perder tudo...
eu ainda escolheria perder
tudo com você.