Eu trago na mente um fogo sutil,
Um corte preciso, um riso hostil.
Eu olho pra vida com vista de rei,
Não curvo meu passo perante a lei.
A mente traçada em lógica e dor,
Desfaço teu mito, destruo teu valor.
Eu venho sem prece, sem tom de desculpa,
A tua certeza morre por minha culpa.
Eu jogo com sombras, sabendo o que faço,
Teu erro te prende no meu forte laço.
Se sangras tentando entender minha lei,
No fundo da alma é o que eu mais desejei.
Eu jogo com sombras, sabendo o que faço,
O peso do golpe medido no passo.
Mordaça de ferro, palavra de fita,
Tu pedes clemência, mas nada te evita.
O som do teu tropeço é doce ao meu ouvido,
Te vejo caindo, sem forças, vencido.
Teu drama é fútil, tua dor é rasteira,
Minha alma é um farol na tua escuridão inteira.
Sorrindo no caos da tua mente aflita,
Te esmago com frases que o tempo registra.
A língua é navalha de aço e veneno,
Destruo teu ego no ar mais sereno.
Teu riso de medo não compra meu tom,
Eu moldo o teu mundo com o peso do som.
Eu jogo com sombras, sabendo o que faço,
O peso do golpe medido no passo.
Ideias que queimam, saberes antigos,
Transformo leituras em firmes castigos.
Seduzo a razão com um livro na mão,
Enquanto te prendo no meu turbilhão.
Desmonto teorias com fúria e frieza,
Tu buscas a paz, mas só achas surpresa.
O teu argumento se desfaz em pó,
Eu fico de pé, soberana e só.
Ironia afiada em cada olhar,
Cortei tuas asas antes de voar.
Não tento agradar teu conselho pequeno,
Eu sirvo o teu vinho com doce veneno.
Eu jogo com sombras, sabendo o que faço,
O peso do golpe medido no passo.
Respostas precisas em tom de veludo,
Se falas demais, me torno o teu mudo.
E quando me olhas tentando entender,
Te entrego a tortura de nada saber.
Teu choro não dobra a minha estrutura,
Prefiro o rigor da pedra mais dura.
Não nasci pra ser mansidão nem abrigo,
Eu sou o abismo e o teu pior perigo.
O cálculo é frio, o lance é fatal,
O meu raciocínio é um muro de metal.
Coerente no ataque, certeira no nó,
Eu venço a disputa e te deixo na pó.
Eu jogo com sombras, sabendo o que faço,
O peso do golpe medido no passo.
Se achas que o charme é doçura e afeto,
Te mostro o meu templo no meu teto reto.
Seduzo o intelecto com arte e saber,
Para no final te ver submeter.
Gosto do tombo, do golpe, do estrondo,
No teu labirinto eu jamais me escondo.
Te dou a ilusão de chegar ao meu topo,
E quebro no meio o teu frágil copo.
Sarcasmo refinado, veneno elegante,
Te julgo de longe no mesmo instante.
Tua vaidade é um prato na mesa,
Devoro teu orgulho com fria firmeza.
Eu jogo com sombras, sabendo o que faço,
O peso do golpe medido no passo.
Não cedo terreno, não peço favor,
Eu sou o domínio, a ordem e a dor.
Fecho o cenário, silencio a disputa,Minha mente governa, e a tua só escuta !