Teus olhos dizem sim, mas tua voz recua,
Erguendo muros onde eu quis fazer morada.
Dizes que a alma ainda é um tanto tua,
Cuidando das feras de uma estrada mal passadas.
É um \"falar por falar\" que me consome,
Um abraço em silêncio que nunca se fecha.
Queria o teu corpo, o teu riso, o teu nome,
Mas recebo a distância que o teu medo deixa.
Não é falta de querer, eu sei, é o trauma,
O eco de um ontem que ainda te assombra;
Mas como ancorar o desejo na calma,
Se o que eu mais amo vive sob a sombra?
Ficar nesse \"quase\" é o pior dos castigos,
É ter o banquete e morrer de jejum. Somos mais que estranhos e menos que amigos, No vácuo do afeto, não somos nenhum.
Eu espero o teu tempo, mas sinto o cansaço,
De ser o rascunho de um sonho incompleto.
Pois dói te querer sem o nó do abraço,
E viver de migalha sendo homem de afeto.
Wagner Elias de Magalhães