Um olhar que se cruza na pressa da rua, Um aceno esquecido, uma voz que flutua. Não há pedra que caia no espelho de um lago, Sem que a água propague o seu leve afago.
O sorriso trocado na porta do trem, Muda o passo de um, que transforma o de cem e de mais mil que estão por vir. O perdão que se entrega, o silêncio que fere, São sementes lançadas que o tempo transfere.
Não existe fronteira na teia invisível, Cada toque desperta um futuro possível. O que dizes agora, de forma casual, Pode ser para o outro um farol, um sinal.
Somos fios dispersos num grande tear, Onde cada encontro nos vem costurar. E a história do mundo, em sua vasta espiral, É a soma secreta de um gesto banal.
Pois quem move uma folha, ou segura uma mão. Não há vida isolada, nem passo perdido: O destino de todos é por nós tecido.