Poesia Abandonada

A teia dos destinos

Um olhar que se cruza na pressa da rua, Um aceno esquecido, uma voz que flutua. Não há pedra que caia no espelho de um lago, Sem que a água propague o seu leve afago.

O sorriso trocado na porta do trem, Muda o passo de um, que transforma o de cem e de mais mil que estão por vir. O perdão que se entrega, o silêncio que fere, São sementes lançadas que o tempo transfere.

Não existe fronteira na teia invisível, Cada toque desperta um futuro possível. O que dizes agora, de forma casual, Pode ser para o outro um farol, um sinal.

Somos fios dispersos num grande tear, Onde cada encontro nos vem costurar. E a história do mundo, em sua vasta espiral, É a soma secreta de um gesto banal.

Pois quem move uma folha, ou segura uma mão. Não há vida isolada, nem passo perdido: O destino de todos é por nós tecido.