MAISA NALAPE

A caneta

A caneta,

musa dos trovadores,

ádito do meu amor,

companheira da amargura,

mãe da desventura.

 

Escreve a ansiedade,

em linhas onde manifesto pensamentos

e derramo sentimentos.

 

Essa tinta que desliza no papel,

grava palavras

como a história da minha vida,

que hoje ordeno

e guardo dentro de mim.

 

A minha mão comanda a caneta,

mas é a mente quem a governa.

Entre o som da trombeta e do sino,

há um toque pontiagudo na alma que sente:

só a caneta preenche o meu vazio.

 

Minha amada caneta,

tão variada —

das mais simples

às mais sofisticadas e elegantes.

Como Deus criou o mundo

e o pintou com as cores mais lindas,

também estas palavras

jamais se apagarão.

 

Assim transformo a tinta

num belo seguimento regular,

onde a dor encontra forma

e o silêncio aprende a falar.

 

06/10/2015