Nelson de Medeiros

CONTRASTE

                                                                                                      CONTRASTE

 

Não sei quem és...

Até pensei, não nego,

fosses tu,

meu poema nunca escrito...

o amor eterno

que me foi predito,

por este dom

que, sem querer, carrego...

Mas já nem sei

se te amo ou te renego,

pois, sendo às vezes,

anjo do infinito,

és, noutras tantas,

rocha de granito...

e este contraste,

confesso,

me faz cego!...

Por isso,

eu nunca sei

se és claridade,

ou se és sombra

que habita noutra esfera...

 

Por isso,

eu nunca sei

se és claridade,

ou se és sombra

que habita noutra esfera...

Por certo,

és dúbia criatura...

Trazes contigo

o cheiro da amargura,

e o perfume

da eterna primavera!

Pois, num só tempo,

és rigor

e suavidade...

 

Por isso,

eu nunca sei

se és claridade,

ou sombra

que habita noutra esfera...

Ou sombra...

que habita

noutra esfera...

                                                                                                                                  Nelson de Medeiros Teixeira