Fábio Alves Leão

A LIBERDADE DA MORTE

Morrer, talvez, seja o romper da prisão,
Silêncio enfim depois de tanta lida;
Deixar ao tempo a última ilusão,
E devolver ao pó a própria vida.

 

A morte veste um manto de sossego,
Que a alma exausta sonha em alcançar;
Sem mais temer o frio ou o apego,
Sem mais o peso eterno de esperar.

 

Se a vida foi um mar de desalento,
Quem não deseja um porto sem sofrer?
Um fim sereno ao último lamento.

 

Mas enquanto houver fôlego a correr,
Há sempre um fio, oculto pelo vento,
Que pode, ainda, ensinar por que viver.