A aurora já não me interessa.
O sol é um impostor
a luz, uma promessa quebrada.
Caminho por sombras,
onde o desejo me devora,
como um amante inaudito.
A solidão é um vestido justo,
tão gasto.
A desobediência,
essa piada amarga,
me ensinou a amarrar
com correntes invisíveis.
Um carcereiro sussurra
dentro de mim.
E a culpa?
A bruxa infiel
que se deita conosco
na calada da noite.
Uma onda de risos perdidos,
um som que fere.
Ah, o êxtase da ilusão!
Um beijo que queima,
um instante de entrega,
e depois, o vazio.
Como um poema maldito,
a vida se perfaz.
Liberdade —
um labirinto sem saída.
O que é ser livre,
senão carregar o peso
de ser eu mesma?
Não sou o grito silencioso
dos pensamentos antigos.
Estou apenas perdida na trama
de ser quem sou,
sem saber se posso
salvar a mim mesma.
A liberdade não
seria a prisão?
E, quem sabe, um dia
eu aprenda a tecer.
A era do lobo que comeu o sol
de Ayalah Verônica Berg