Disseram que era destino.
Eu preferia chamar de castigo.
Entre todas as pessoas do mundo,
justo você.
A pessoa que eu não suportava,
que conseguia transformar
cada conversa em uma disputa
e cada silêncio em uma provocação.
Agora esperavam que eu sorrisse
ao seu lado,
como se não tivéssemos passado anos
tentando vencer um ao outro.
Eu deveria odiar a ideia.
E odiava.
Pelo menos era o que eu repetia
toda vez que alguém perguntava.
Então você segurou minha mão.
Não por carinho.
Não ainda.
Apenas porque todos estavam olhando.
Mas seus dedos permaneceram nos meus
mesmo depois que ninguém mais olhava.
E, pela primeira vez,
eu não quis afastá-los.
Talvez o verdadeiro problema
não fosse termos sido obrigados
a ficar juntos.
Talvez fosse eu começar a perceber
que, entre todas as pessoas do mundo,
você era a única
de quem eu não queria mais fugir.