Notas de Carência
(Rio Bonito, 26 de dezembro de 2010)
Juliana de Lima
O peito é uma madrugada fria,
solidão — dor que persiste;
desprovido de sua companhia,
só meu amor resiste.
As horas não passam,
o brilho das estrelas me detém;
lembram aqueles olhos que me enlaçam —
o silêncio é uma milonga, e eu seu refém.
Saudade do tempo em que nos amamos:
paixão que surgiu de repente.
A felicidade que juntos construímos
dissolve-se em ciúme insistente.
Na calada do sofrimento,
sobrevivendo de ilusão,
desejo apenas um momento:
a oportunidade de entoar nossa canção.
Minha guitarra só chora a triste ausência;
a lágrima aflora ao som do bombo-coração —
notas de carência
que evolam no lombo da razão.
© Juliana de Lima, 2010
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