Não porque te amo —
isso seria simples demais.
Eu sujaria as minhas mãos
porque você me ensinou a odiar
com a mesma intensidade
com que aprendi a procurar por você.
Você é a pessoa
que eu escolheria como inimigo
em todas as vidas.
A pessoa que me irrita,
que me desafia,
que sabe exatamente
onde tocar nas minhas feridas
sem sequer encostar em mim.
E ainda assim...
Se o mundo inteiro
decidisse se voltar contra você,
eu ficaria do outro lado da rua,
cerraria os punhos
e fingiria que não me importo.
Até alguém chegar perto demais.
Então eu atravessaria.
Não por bondade.
Não por perdão.
Por você.
Porque existem pessoas
que merecem a nossa paz.
E existem aquelas
pelas quais a gente perderia a própria.
Você é a minha exceção.
E talvez esse seja
o pior de tudo.