Nelson de Medeiros

BOLHAS DE SABÃO

BOLHAS DE SABÃO

No sono turvo de nossa existência,
Erguemos frágeis sonhos sobre o chão;
A mente os guardam em dúbia sedução,
Qual névoa a dourar a consciência.

Mas vem o tempo, austero, sem clemência,
E rasga o véu da nossa construção.
A alma se mostra em súbita visão,
E a vida ri da nossa incoerência.

Assim se elevam estas tolas escolhas,
Que o egoísmo traz, em breves instantes,
Antes da fantasia desabar!

Na vida, as ilusões são como bolhas
De sabão, que sobem flutuantes,
Mas se desfazem ao encontro do ar!

Nelson de Medeiros Teixeira