Sou feita de extremos.
Metade de mim é tudo,
a outra metade é nada.
Uma árvore cai
para onde se inclina.
Eu me inclino,
na maior parte do tempo,
para o nada.
Não sou nada.
Não tenho nada.
Nada vezes nada.
Em alguns momentos,
me pendo ao tudo.
Quero tudo.
Desejo tudo.
Tudo vezes tudo.
No fim,
é tudo
ou nada.
Sou feita de extremos.
Metade de mim é morte,
a outra metade é vida.
No fim,
morte e vida coexistem
num mesmo corpo.
Se uma vez nascido,
não se foge de viver,
nem de morrer.
Esses são extremos
que enfrentaremos
sendo seres humanos.