V. Pacheco

Extremos

Sou feita de extremos.

 

Metade de mim é tudo,

a outra metade é nada.

 

Uma árvore cai

para onde se inclina.

 

Eu me inclino,

na maior parte do tempo,

para o nada.

 

Não sou nada.

Não tenho nada.

Nada vezes nada.

 

Em alguns momentos,

me pendo ao tudo.

 

Quero tudo.

Desejo tudo.

Tudo vezes tudo.

 

No fim,

é tudo

ou nada.

 

Sou feita de extremos.

 

Metade de mim é morte,

a outra metade é vida.

 

No fim,

morte e vida coexistem

num mesmo corpo.

 

Se uma vez nascido,

não se foge de viver,

nem de morrer.

 

Esses são extremos

que enfrentaremos

sendo seres humanos.