Porto...
à noite, sobre a boia verde, garça branca,
emitindo lampejos de esperança,
alterna e pousa na encarnada,
não dá tempo para mais nada.
no horizonte garça cinza,
falsa estátua, engatilhada,
a refração bem calculada,
no disparo de um flash,
tem-se a corda distendida,
o abismo perscrutado,
bico-míssil atinge o peixe,
rompe a película da paz.
o mar engole a madrugada.
no cais luzes mortícias,
rede de pesca,
caixa de pescado,
um pelicano em sua bolsa
armazena frustrações.