Lucien Vieira

O MESMO VESTIDINHO DE COR VINHO

Por Lucien Vieira | 20 de fevereiro de 2026

Hoje,
andei
pelas calçadas
do que fomos.

Lá distante,
naquele mesmo lugarzinho
— lembra? —,

a vi 
na desimagem
da nossa história.

Vestia, inclusive,
o mesmo vestidinho:

aquele de zíper,
de cor vinho —
do nosso derradeiro carinho.

Ah,

sinto falta
de te acompanhar
na cadência da idade!

De ser, ainda,
personagem teu,
da tua peça-verdade...

Nossos consensos
— tácitos —
de cumplicidade

diziam tudo,
em qualquer parte,

nos muitos amares,
todos de incontestável
sinceridade.

Que nas leituras
que te ofertem
a inspiração do pensamento,

estejam também
os nossos momentos.

E entre as figuras
doces,
amáveis,

imaginadas
da tua história,

que tu me autorizes
a permanência
na memória;

que eu te seja,
assim como tu me és,

um aroma inesquecível
da flor infindável
saudade.

Há, agora,
apenas uma taça
sendo usada.

A outra,
a tua,
permanece vazia
— ocupada.

Porque tu,
assim o quiseste,
foste,

e eternamente
ficaste!