Tu és uma rosa,
coroada por espinhos
que nunca deixaram de me ferir.
Cada espinho que encontrou minha pele,
a cada gota de sangue que escorria,
o meu amor crescia.
A dor era profunda,
mas doía muito mais imaginar minha vida
sem tuas pétalas, sem teu perfume.
Sangrando em silêncio,
escondia-me para que ninguém visse
que era o teu amor que me feria
e, ao mesmo tempo, me mantinha viva.
Se um dia minhas mãos não puderem mais tocar-te,
será porque eu morri em tuas pétalas,
não porque o amor morreu.
Eu continuei amando a rosa,
mesmo quando os espinhos me rasgavam a pele.
Pois o amor nunca deixou de florescer,
mesmo quando a dor insistia em me tocar.
Eu continuarei amando a rosa.
E, se preciso fosse,
sangraria mil vezes mais,
porque há amantes que não sobrevivem sem dor,
e o meu escolheu amar-te
até o último suspiro.
E entao abracei aquela rosa, mesmo sabendo dos espinhos que me tocavam, com minhas mãos, toquei o perigo, o mundo se tingiu de vermelho intenso, e o silêncio ouviu a dor cair, gotas de sangue caiam, cada gota de sangue que caia de minha mão, era um reflexo do meu próprio medo.
Os espinhos rasgavam minha carne, como uma promessa cruel e sombria, os espinhos afundaram na carne, profundos como lembranças guardadas, mas eu segurava aquela rosa com as mãos feridas e apaixonadas
Pois eu sabia, no fundo de minha alma, que se eu soltasse aquele abraço, a rosa iria embora para sempre, levando consigo um pedaço de meu coração, a rosa abandonaria minhas mãos e seus perfumes jamais voltariam a existir
Permaneci abraçada a escuridão, entre feridas, flores mortas, porque algumas rosas não pedem carinho - pedem uma alma disposta a sangrar por elas.