Depois de tantos dias sem chuva,
finalmente choveu.
E a chuva me trouxe alegria,
um certo conforto,
e, junto com seu vento forte,
vieram as lembranças de você.
Foi só então que percebi:
começou a chover dentro do meu quarto.
Um temporal tomou conta do meu peito,
e uma chuva de lágrimas
desceu pelo meu rosto.
Chovia tanto
que, por um instante,
ansiei por um bote salva-vidas.
Eu precisava me salvar.
Não queria me afogar.
Mas o temporal era mais forte
do que eu poderia imaginar.
As nuvens, negras como a cor do seu cabelo.
As trovoadas, tão intensas quanto o som da sua voz.
A ventania, inquieta como o seu caminhar.
E, no meio daquela tempestade,
eu percebi que não havia para onde fugir.
Porque, às vezes,
o pior dos temporais
não acontece no céu.
Acontece dentro da gente.
E, no fim,
se é um erro amar como amei,
eu entrei no mar, me afoguei.