Ansiosa (diagnosticada) transtorno de ansiedade generalizada! E mesmo assim, ainda por cima, consigo ser atrasada.
Às vezes me pego rindo em hora errada.
No ritmo oito ou oitenta,
às vezes falo muito, outras não falo nada. Às vezes erro o português, erro na gramática.
Invocada! Se mexer com quem amo ou alguém do meu lado, viro o próprio cão atentado.
As vezes faço palhaçadas e invento músicas besterenta a troco de nada.
Cismada! Chata demais com casa suja e desarrumada.
Nas folgas, se tudo está em ordem, fico horas olhando pro teto, largada e jogada,
Sem força nem rumo, no escuro parada.
No outro dia viro o jogo,
viro faísca acesa, ligada no duzentos e vinte, subo na mesa,
limpando até o teto sem dar trégua à cabeça, se deixar desinfeto até a calçada.
Ensaio conversas que nunca vou ter,
crio mil dramas sem nem acontecer. Repasso na mente a fala errada,
remoendo bobeira do passado de madrugada.
Às vezes travo na hora que devia começar, se não for perfeito, nem quero tentar.
Adio o urgente, deixo pra depois, multiplico a culpa de um virar dois.
Engulo desaforo com cara de santa, até que um copo quebrado me espanta,
explodo por dentro com força, mas sem perder a razão,
viro fera bravia, por algo bobo que nem merecia
Quero controlar tudo, e também não quero controlar nada!
Quero fazer uma mudança radical da minha pessoa, depois vejo que isso não é normal
Às vezes eufórica e acho tudo legal, outras vezes tudo vai mal
Compro o problema de quem nem me pediu,
carrego a carcaça de quem já fugiu.
Quero salvar todo mundo ao redor,
enquanto por dentro me sinto menor.
Tenho mania de virar psicóloga e bombeira de todo mundo,
quero consertar a vida alheia enquanto a minha está acumulando pendências.
Não peço socorro por puro orgulho, prefiro afundar de vez no entulho.
E se me elogiam, acho esquisito, desconfio na hora de tudo que é dito.
É o paradoxo eterno de ser mulher e semente,
proteger todo mundo e ferir a própria mente.
Ser bicho, ser santa, ser amorosa, vulcão e cansaço,
tentando caber na fresta de um abraço.
Nem vilã, nem heroína, nem caso perdido,
sou humana como qualquer um, em busca de alívio e sentido.
Carrego alguns dos meus cacos sem pedir perdão,
meu maior defeito é ter consciência de tudo o que faço e ainda ter um coração (mole).