Ju Lufada

Na garupa do tempo

Na Garupa do Tempo

Rio Bonito, 30 de novembro de 2010

Juliana de Lima

Bruxuleiam em mim reminiscências

Do prisco na querência,

Onde compartia um amor sem fim

Que findou-se em adeus arcano.

A aurora chegou

Sem dormitar.

Parti no lombo da negra lufada,

Deixando a invernada para trás,

Pensando em não retornar.

Quero a garupa do Minuano,

Galopar no tempo

Com arreio forte

Para além do norte:

Buscar esquecimento.

O desamor corcoveia no peito,

Em descompasso indomável;

No rodeio do pensamento

Meneia, sem jeito,

Um coração inconsolável.

Talvez o destino entrelace

Nesta alma o açoite da solidão,

Embuçalando na iminência o impasse,

Meneando velhos desenganos,

Fortaleça as rédeas surradas:

De volta para o rincão.

© Juliana de Lima, 2010.

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