Será que a alma toma café?
A minha, acredito que sim. Participa do ritual.
Água para esquentar. Pó, filtro. Garrafa térmica.
A água avisa que a chaleira está pronta. Ela se derrama e se mistura. O pó, primeiro, flutua. Depois, se compacta. A água escoa pelo filtro. Barulhinho bom. Aroma melhor.
A garrafa se enche. Se me descuido, ela derrama. A pia acolhe.
Na bancada ao lado, uma caneca grande, um prato pequeno, três bolachas diet e um bolinho inglês, também zero, de nozes.
Café na garrafa. Café na caneca.
Enquanto ajeito o corpo na cadeira, a alma cheira. Canta de alegria. Agradece e entra.
Dois em um. Ela e eu.
Comunhão.
Caneca no alto. Brinde imaginário.
Saúde!
Será que a alma sente prazer?