Nunca fui santa de infância.
Sempre mordi o silêncio.
Aprendi a rir
antes de aprender a mentir.
A dor? Conheci dos outros.
Não me apresentei.
A alegria? Trama fria.
Passou rápido e não voltou.
A morte? A única
que cumpre a palavra.
Divertida é a noite.
Cuspo no corrimão.
A amizade é um copo sujo.
Gosto mesmo assim.
A virtude é um vício
com menos prazer.
Escolhi o outro.
No espelho, minha cúmplice.
Na cama, não aposte.
Vivo como quem cai:
sem mentir verdades.
O sol nasce para todos.
Que bobagem.
O tempo enrola
quem espera.
Quem não para,
esquece.
Boa Criação
de Ayalah Verônica Berg