Fábio Alves Leão

OS CICLOS DO TEMPO

No apagar das luzes, o ano se despede,

Um suspiro de alívio, a alma que cede.

As batalhas travadas, os fardos deixados,

Os sonhos que foram e os que ficaram calados.

 

É tempo de fechar as páginas gastas,

De encerrar os dias, as dores que afasta.

Mas no eco das horas, algo sussurra,

Um novo começo, uma nova procura.

 

O início desponta trazendo inquietude,

Medo e ansiedade em real plenitude.

O futuro é um livro de folhas em branco,

E o coração vacila, num salto franco.

 

Cada ano, um capítulo que a vida propõe,

Um mosaico de histórias que o tempo compõe.

Entre risos, tropeços, vitórias e perdas,

A alma escreve, mesmo em suas quedas.

 

Mas há beleza em recomeçar outra vez,

Na coragem que surge, ainda que a pés.

Pois cada dia é tinta, cada escolha é traço,

E a história se faz no amor e no abraço.

 

Final de ano é descanso, um porto seguro,

Início é mistério, um passo no escuro.

Mas a vida é assim, um eterno compor,

E cada capítulo, um poema de amor.