Gino, Sinvaldo de Souza

Jacarandá

Jacarandá

 

No chão de canga, onde o sol bate a 58,

onde o petrõdes queima,

tu insistes, Jacarandá.

 

Não gritas.

Floresces roxo em novembro,

quando o veranico racha a terra

e o agricultor olha pro céu.

 

Tu não dás saca,

não dás soja,

dás sombra.

 

Dás casa pra abelha,

dás descanso pro enxadão,

dás lembrança que a terra boa

não é só a que produz,

é a que permanece.

 

Tu és o sermão sem púlpito

do Jesus Camponês:

cultivar é guardar,

guardar é florescer

mesmo em solo duro.

 

Jacarandá do Cerrado,

roxo que resiste,

ensina ao semeador

que a colheita maior

não se mede em sacas,

mas no dia em que o filho

ainda encontra sombra

onde o pai plantou.