Jacarandá
No chão de canga, onde o sol bate a 58,
onde o petrõdes queima,
tu insistes, Jacarandá.
Não gritas.
Floresces roxo em novembro,
quando o veranico racha a terra
e o agricultor olha pro céu.
Tu não dás saca,
não dás soja,
dás sombra.
Dás casa pra abelha,
dás descanso pro enxadão,
dás lembrança que a terra boa
não é só a que produz,
é a que permanece.
Tu és o sermão sem púlpito
do Jesus Camponês:
cultivar é guardar,
guardar é florescer
mesmo em solo duro.
Jacarandá do Cerrado,
roxo que resiste,
ensina ao semeador
que a colheita maior
não se mede em sacas,
mas no dia em que o filho
ainda encontra sombra
onde o pai plantou.