eu o idealizei porque a minha mente
não suporta o vazio
de não ter para onde escoar essa pressão interna.
ele não é real.
na realidade, ele é completamente o oposto de mim.
isso não é amor.
se o amor for essa humilhação voluntária,
essa dependência de um sinal de vida que nunca vem,
então eu prefiro o silêncio absoluto.
ele vai contra a minha estrutura,
contra a minha disciplina e contra a minha precisão.
e, ainda assim, há momentos em que nossos pensamentos
parecem vir de outra vida.
é como se o ritmo dele me reconhecesse por dentro,
antes de a consciência estragar tudo.
como eu o amaria, afinal?
se eu soubesse o que é o amor,
talvez eu soubesse como tocar alguém sem ferir.
mas eu só sei o rigor.
e o rigor, ao lado dele,
é a cova que eu mesma cavo.
às vezes eu gostaria que fôssemos algo mais,
mas acordo e me lembro
que você é você
e eu sou eu.