Cheio de palavras, mas não consigo expressar nenhuma delas
Tem obras que só ficam famosas quando o autor morre
Mas não quero ser reconhecido, pois tenho medo que descubram
O meu céu é nublado, a minha tela é raspada, minhas canetas estão vazando tinta
E eu estou no meu barquinho, no meio da ventania
Não estou gritando por socorro, nem estou fazendo algum som
Estou cheio, estou vazio, estou na beira, estou no rio
Como pôde me tirar tudo tão facilmente?
Olhos marejados, vidrados, semiaberto, cansado
Não precisa dizer algo, não precisa ver o que sou
Porque minha sentença já foi colocada, estou esperando o carrasco
E a fraqueza tem medo do sol, sinto que estou queimando, estou queimando pelo que fiz
Conte o terço, chore na capela, ore pela expiação da sua miséria
Tantas opiniões, eu sempre me senti incompleto
Traga de volta o que eu tinha, traga de volta a minha inocência
Eu nunca quis conhecer as coisas que eu sei
Na minha carta de despedida, estará muitos pedidos de desculpas
Mas quem eu mais queria o perdão era do Cristo, seguido do meu próprio
Me afunde, me coloque em outras águas, faça com que a minha gentileza sirva para algo
Porque eu irei desaparecer, no meio da neblina, no meio da chuva, no meio do rio, no meio das nuvens...