Ana Gonçalves

Falsa calmaria

E minha fantasia, discos e poesias Manias desvairadas de sobreposição 

Já sinto aquela mesma sintonia

Da alta complexidade que é seu tom

 

Orgulho fora de sincronia 

Sob o mesmo lençol fazemos o que somos bons

E os nossos corpos juntos têm uma rima

E tudo lá fora fica na abstração

 

Se é desejo, desassossego

Que a mente pede pra ouvir aquele mesmo som

Te trago feito fumaça, num lapso dentro do peito.

Eu sou do atrito, do groove,

você é silêncio de voz e violão.

 

A tua sombra assombra os meus dias 

Desenterrando minhas velhas teimosias,

desmanchando as falsas calmarias, rasgando a paz das minhas covardias...

 

Vem essa onda quente e envolvente,

que me desapruma o ar

Não é falta de rumo, é vertigem e asco de recomeçar.

Com o mundo nas mãos, não soubemos guiar, agora o corpo cobra o que a mente quis frear.

A gente sabe onde isso vai dar, mas tem pavor do chão queimar.

 

Nem todo recuo é desistência.

Às vezes é só susto da própria potência.

Dois tons que já sabem a rota de cor, desarmando o medo no calor.

 

Desmanchando as falsas calmarias... 

Eu no jazz, no blues, no soul, na tensão,

você na voz e violão.