E minha fantasia, discos e poesias Manias desvairadas de sobreposição
Já sinto aquela mesma sintonia
Da alta complexidade que é seu tom
Orgulho fora de sincronia
Sob o mesmo lençol fazemos o que somos bons
E os nossos corpos juntos têm uma rima
E tudo lá fora fica na abstração
Se é desejo, desassossego
Que a mente pede pra ouvir aquele mesmo som
Te trago feito fumaça, num lapso dentro do peito.
Eu sou do atrito, do groove,
você é silêncio de voz e violão.
A tua sombra assombra os meus dias
Desenterrando minhas velhas teimosias,
desmanchando as falsas calmarias, rasgando a paz das minhas covardias...
Vem essa onda quente e envolvente,
que me desapruma o ar
Não é falta de rumo, é vertigem e asco de recomeçar.
Com o mundo nas mãos, não soubemos guiar, agora o corpo cobra o que a mente quis frear.
A gente sabe onde isso vai dar, mas tem pavor do chão queimar.
Nem todo recuo é desistência.
Às vezes é só susto da própria potência.
Dois tons que já sabem a rota de cor, desarmando o medo no calor.
Desmanchando as falsas calmarias...
Eu no jazz, no blues, no soul, na tensão,
você na voz e violão.