SIMONE CARVALHO DOS SANTOS

Ás vezes o medo

 

Às vezes o medo não grita,
não derruba portas nem muda paisagens.
Apenas senta em silêncio ao nosso lado
e nos convence de que ainda há tempo.

Tempo para dizer depois,
para abraçar depois,
para amar depois.
Como se a vida tivesse o hábito
de esperar por nossas certezas.

Enquanto isso, os dias seguem...
Passam pela janela sem fazer alarde,
levando consigo rostos, estações, momentos
que jamais voltarão da mesma forma.

Há sentimentos que não pedem eternidade,
pedem presença.
Pedem a coragem simples de existir,
antes que a ausência crie raízes
onde antes morava o encontro.

E um dia compreenderemos que o amor
nunca precisou de promessas grandiosas.
Precisava apenas de um coração disposto
a viver o instante...
antes que ele se tornasse lembrança.