Minha poesia favorita
é a do cotidiano.
Aquela que, no meio da correria,
da bagunça,
você olha
e então a vê.
Aquela que está também na organização,
nas coisas ajeitadas em seus devidos lugares.
Ela aparece,
então você a vê.
Tão bela,
tão delicada,
mas às vezes triste.
Minha poesia favorita
é a do cotidiano.
Aquela que, no meio do caos,
do barulho,
você escuta um som,
então a ouve.
Aquela que está também
no silêncio,
na tranquilidade.
Então ela sussurra.
Tão serena,
tão calma,
mas às vezes agitada.
Minha poesia favorita
será sempre a que está
nas entrelinhas dos dias que passam,
nos versos que se debruçam no pêndulo do relógio,
no fio vermelho e tênue da vida
que se estica
e irrompe em amor,
ódio,
lutas,
tréguas,
risadas,
infortúnios,
e se rompe
na ponta do precipício.
Aí, nos lançamos,
entregando-nos à morte,
que vem.
Inevitavelmente, vem.