Fique tranquilo, esqueleto.
Conheço a arte de bajular.
Sextas, festas.
Domingos, transplantes de cabeças.
Não entendo o que dizem.
O inverno foi magnífico.
Anjos vieram em bandos.
Um deles, com um carregador de ilusões,
tomou café. Depois, dançou.
A ressonância mostrou mariposas no crânio,
um filhote de grilos no lugar.
Perdi as rimas.
É meu preço.
As apostas são altas.
Há parques espelhados para a diversão.
Resolvam com os deuses.
Guardem sonhos nos bolsos.
Fujam rindo.
A interface alada deles cancela a noite.
Resta o abismo.
E o absurdo de sorrir.
O Abismo de Sorrir
de Ayalah Verônica Berg